Filosofia:

 

A(s) Filosofia(s) do século XX trouxe(ram) uma série de desenvolvimentos teóricos contrários em relação ao que se refere a validade do conhecimento através de conceitos e abstrações absolutas, isto é, afirmações universais ou leis gerais. As certezas decorrentes do pensamento clássico foram derrubadas, embora permaneçam como problemas sociais, econômicos e científicos, juntamente com formas novas de conflito e reivindicações concernentes à organização geopolítica e epistêmica do sistema-mundo contemporâneo. O que é a lógica e o que é a ética? São novas perguntas que existem a partir da filosofia do século XX.

Entretanto, essa filosofia era demasiado diferente para que se possa fixar um padrão, que não seja uma série de tentativas de reformar, preservar ou alterar os limites antes concebidos. As formas e caminhos para estes empreendimentos são diversos e distintos. Contudo, suponhamos que seja essencial uma unidade de sentido, diríamos que estas filosofias contestam princípios da ciência moderna (aproximadamente do séc. XVI ao séc. XX).

Novos estudos na filosofia da ciência, Filosofia da matemática, Epistemologia acrescentaram aparentemente tendências antagônicas na contabilidade da consciência e seus objetos, como expresso nas profundas diferenças entre filosofia analítica e continental, as quais tiveram lugar em fundações, no início do século. Os avanços na relatividade, na quântica, na física nuclear e, nas ciências generativas, como a ciência cognitiva, cibernética, genética e generativa linguística, e na rica produção literária, artística, como no Cinema e na Música, foi uma forma enriquecedora de propagar pensamentos filosóficos.

História da filosofia: Antiga, medieval, moderna e contemporânea:

De um modo geral, os estudos filosóficos têm como espinha dorsal o estudo da história da filosofia. Para se estabelecer uma sequência histórica da filosofia podem-se usar diferentes critérios.

Normalmente, a periodização é feita a partir de uma correlação com os períodos históricos, políticos e culturais. Desse modo, fala-se em

1) filosofia antiga;
2) filosofia medieval;
3) filosofia moderna;
4) filosofia contemporânea.

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O filósofo Mario Ariel González Porta, professor de filosofia na graduação e pós-graduação da PUC/SP, num pequeno grande livro, questiona essa periodização, na medida em que sua base não é de natureza filosófica. Para ele, o desenvolvimento filosófico tem de ser compreendido a partir de critérios que preencham as seguintes condições:

"1) que sejam, em primeiro lugar, intra-sistemáticos e propriamente filosóficos e, além disso,

2) que sejam evolutivos ou dinâmicos, isto é, que permitam compreender não apenas a diferença essencial entre o pensamento de diferentes períodos, mas também o princípio interno de passagem de um a outro."

A periodização proposta por González Porta permite efetivamente que o iniciante nos estudos filosóficos encontre o fio de Ariadne que o conduza com segurança no labirinto temporal em que pode se transformar a história da filosofia. Por isso, vale a pena conhecê-lo:

 

Período filosófico Correspondência ao período histórico Grandes nomes Disciplina-chave Conceito-chave
1. Período metafísico Época antiga, medieval e início da moderna Platão,Aristóteles, São Tomás de Aquino ( Descartes Metafísica (ontologia) Ser
2. Período epistemológico (ou transcendental) Época moderna Descartes, Kant Epistemologia, Teoria transcendental Verdade, objetividade, validez
3. Período semântico-hermenêutico Época contemporânea Husserl, Dilthey, Heidegger, Frege, Wittgenstein Teoria da significação, Fenomenologia, Hermenêutica, Semântica (análise lógica da linguagem) Significado, Semântica: análise lógica da linguagem

O livro em que se encontra o esquema de Mario Ariel González Porta chama-se "A Filosofia a partir de seus problemas" e integra a coleção "Leituras Filosóficas", das Edições Loyola. Não se trata de uma leitura meramente introdutória, pois pressupõe que o leitor já tenha uma familiaridade mínima com a filosofia. A estes, com certeza, a obra de González Porta pode ser muito útil e esclarecedora.

Bibliografia

  • Dicionário de Filosofia, Nicola Abagnano (Editora Martins Fontes)